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Pesquisa científica ajuda a identificar autores de estupros

Foram 492 casos de estupro registrados em Goiás somente no ano passado. Muitas vezes, o cenário do crime é parecido: uma mulher sozinha, uma rua erma e uma força covarde e desigual. Além de enfrentar o trauma físico e psicológico da violência sexual, em alguns casos as vítimas ainda conviviam com a sensação de impunidade pela dificuldade de localizar para punir o agressor.

O retrato falado colabora nas buscas. No entanto, a ausência de provas periciais dificultava a condenação do suspeito. Exames de corpo de delito, de conjunção carnal e de pesquisa de sêmen podem não ser suficientes. Se positivos, não identificam a autoria e, mesmo se negativos, não significam inexistência de agressão sexual.

Para garantir que seja feita  justiça, a polícia técnico-científica de Goiás vem se destacando nacionalmente para buscar alternativas que ajudem ao máximo o processo de identificação. A superintendente do órgão, Rejane da Silva Sena Barcelos, doutora em Biologia Animal pela Universidade de Brasília, foi orientadora de um trabalho acadêmico pioneiro no sentido de aprimorar a perícia em busca de provas genéticas deixadas pelo agressor.

De autoria de Patrícia de Toledo Piza, perita criminal e também biomédica, a tese Análise Genética dos Vestígios de Crimes Sexuais propõe novos métodos para extrair cromossomos do DNA e, dessa forma, ter mais sucesso para detectar os responsáveis pelo ato criminoso. “Quando há o perfil positivo do cromossomo Y, significa que ali existe uma amostra do possível agressor. Hoje o exame de DNA é feito da seguinte forma: é necessário que a autoridade policial investigue, traga um suspeito para se comparar e fazer um exame de DNA com a amostra da vítima. Nesse trabalho acadêmico, foi possível ver que se houver um banco de dados, é possível analisar a amostra do crime, amostra do fato sem ter o agressor”, explica a superintendente.

A profissional relata que a intenção é aliar os avanços na ciência a um banco de dados genético dos condenados. “No fim do ano passado foi promulgada uma lei que as pessoas condenadas por crimes hediondos deverão doar material genético para aprimorar a identificação criminal, que hoje é feita por fotografia e impressão digital. Então esse perfil genético ficará num banco de dados. Analisaremos o material coletado das vítimas e poderemos comparar com o banco. Dessa forma, teremos possibilidade de identificar o autor mesmo sem ter a identificação por vias policiais”.


A previsão, segundo Sena, é que em breve comecem os trabalhos para criar esse banco de dados genético.

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